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segunda-feira, 30 de maio de 2022

Ser espiritualóide.

 




Por observação, experiência e conclusão diria que uma grande maioria dos seres humanos na sua essência são maus. Muito especialmente esta observação é dedicada aos ditos espiritualistas ou espiritualizados pois é um grupo com o qual tenho muitos contactos. E isto porquê? Porque encontraram na espiritualidade uma desculpa para as suas consecutivas más acções, maus comportamentos e atitudes. São os lobos em pele de cordeiro, a raça mais perigosa.

Escrevo isto em tom de desabafo, pois ainda há pouco tempo voltei a cair na teia desta tipologia de pessoas. Usaram e abusaram do meu conhecimento, da minha boa vontade, do meu tempo, fui uma rampa de lançamento e quando já estavam onde queriam fui simplesmente descartada e até foco de maledicência. Se me lerem fiquem sabendo que sei muito mais do que pensam. Com isto voltei a sublinhar com grande evidência a frase “Confiar é bom, não confiar é melhor”, mas será que não consigo aprender esta lição? Burra que nem uma porta. Depois chegam as desculpas de autocomiseração “Eu evolui, estou noutra etapa”, “ A minha vibração está noutro patamar”, “Ligo-me com pessoas na minha frequência”, “Foi o mercúrio retrogrado” e outras tantas que nem me lembro. Ou seja eu passei a ser uma energia desestabilizadora da sua imensa evolução espiritual, da sua frequência e estado de iluminação, logo levo um chuto no cu, já não tenho utilidade, daqui já sugou tudo o que estava disponível, passemos para outra. Que grande hipocrisia, são apenas pessoas que não vêem além do seu umbigo, apregoam ajudar os outros, muitas colocando-se como gurus do autoconhecimento e grandes sabedores dos mistérios da vida. A santa palhaçada para encherem a carteira à custa dos seus seguidores, mais parece uma seita “Em terra de cegos quem tem olho é rei”. Aparentemente altruísta, na realidade egoístas.

O mais grave é que esta não foi a única vez. Já frequentei outros clubes espirituais que queriam uma evolução “sexual” para atingir o nirvana, outros que achavam que o meu companheiro estava destinado a outra senhora e eu era apenas um empecilho na sua caminhada para a Luz. Assisti como terapeuta uma miúda à beira do suicídio por causa das lavagens cerebrais sobre o estilo de vida que tinha de adoptar para ser incluída no seu grupo espiritualóide, na sua posição de primeira-dama do guru, enfim…é tanta merda que simplesmente me leva a desacreditar muita gente dentro da área. Sim, eu digo “cu” e digo “merda” e mais algumas coisas caso se aplique, cuidado ai, a minha vibração energética pode ser prejudicial para a pureza angélica que procura.

Há trabalhos sérios, com cabeça, tronco e membros, genuínos e acima de tudo com respeito pelo próximo, nem tudo é mau. Mas olhem que são poucos, com mais de 30 anos na área conto pelos dedos os trabalhos que acompanho e que confio. Mas hoje o desabafo é sobre os espiritualóides.

Somos Rafeiros, gostem ou não.