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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Somos Rafeiros, gostem ou não.

 


Enquanto seria suposto estarmos a evoluir estamos claramente a retroceder.

Esta manhã ao ligar o computador a primeira coisa que vejo é alguém a ter de justificar a sua “pureza” nacional para ser considerado um Português legítimo. Esta palavra “pureza” de imediato me rebobina as memórias, estudadas e não vividas, da segunda guerra, na busca de pureza ariana que acabou por conduzir ao holocausto onde milhões de judeus foram assassinados apenas por serem judeus. Nunca pensei presenciar tal coisa na minha vida.

Meus caros, lamento informar mas não há povo mais “rafeiro” que o português. O nosso território é pequenino e foi assento dos mais variados povos desde o norte da europa até Africa. Por cá passaram gentes das mais variadas cores, culturas e religiões, somos o resultado de todos estes povos e todos deixaram a sua marca genética, não há cá “pureza” por mais que a procurem, somos uma salada.

Por essa razão somos tradicional e culturalmente um povo com grande capacidade tanto de se integrar em culturas diferentes, como de as acolher amigavelmente. Conseguimos olhar para as pessoas como seres humanos e não a etiquetá-los pela cor da pele, religião ou cultura. Somos um povo do mundo e não isolado do mundo. Isto é a cultura portuguesa, sou alegremente “rafeira”.

Mas tudo está a mudar com a invasão, não de imigrantes, mas sim de gangues nacionalistas, ultranacionalistas, neonazis e o raio que os parta que na sua ignorância acham que são “puros” e lutam por um Portugal isolado do mundo indo contra toda a essência do que é efectivamente a nossa cultura de tolerância e acolhimento. Agora sentem-se mais amparados nas suas acções pois têm comparsas com o cu sentado em cadeiras do parlamento a quem todos nós, gostem ou não, pagamos ordenados chorudos.

Reparem como são estes a raiz da maior parte da violência que existe agora em Portugal, seja em jogos desportivos pois estão muito enredados em claques, por questões ideológicas, de raça, de género ou simplesmente a passearem bêbados pela rua enquanto agridem pessoas comuns (portugueses ou não) causando distúrbios por onde passam. A sério que é esta gente que querem em Portugal? São estes os portugueses mais “puros”? Rafeiros que ambicionam ser puro-sangue e na sua frustração destilam ódio contra tudo e contra todos? É isso que ambicionam para o nosso país?

A imigração deve ser regulada? Sim, pois a nossa capacidade de acolhimento é limitada, não porque os imigrantes são maus. Devem-se adaptar e respeitar os nossos hábitos sem entrar em conflito com eles e cumprir as leis do nosso país, caso contrário entra em cena a justiça. Se assim for todos podem coexistir tranquilamente no mesmo espaço. Isto é Portugal, um entra e sai de gente. Diversidade é uma riqueza que estes idiotologistas nos querem tirar à porrada pela sua própria incapacidade de se adaptarem a qualquer coisa que saia dos seus padrões limitados.

Querem voltar a um regime ditatorial elitista? Pense nisto antes de dar o seu voto a extremistas.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Uma humanidade demente e decrépita

 


Sou confrontada diariamente com notícias e eventos que me levam à posição de declarar que a humanidade sofre de demência. Não vejo luz no fundo do túnel, algo que indique uma reversão da situação actual.

Um dia ao observar ocasionalmente a saída de uma escola reparo num rapazinho que grita sozinho na rua, alto e a bom som. Vai simplesmente caminhando e gritando desalmadamente. Pensei ir ajudar, algo se estava a passar com ele. Nisto junta-se outro com o mesmo comportamento, chegam mais dois ou três que se juntam à gritaria. Pensei que seria alguma manifestação. Mas não, eram apenas gritos vazios de significado, não diziam nada, nem contra nem a favor de coisa alguma, só mesmo barulho. Uma senhora que passava, ao ver a minha expressão admirada diz: - É normal, fazem isto todos os dias, às vezes até são mais.- Sorri para a senhora e pensei para mim: - Não! Não é nada normal, é completamente anormal.

Quando aquela senhora afirma que “é normal” identifico uma normalização da loucura por repetição. O anormal é percecionado como normal perante a repetição das acções e não acontece apenas a esta senhora, mas a uma enorme maioria da população mundial. Quando alguém grita, o normal é faze-lo por alguma razão: medo, dor, desespero. É a expressão vocal de um abalo emocional ou físico. Gritar porque sim, só para fazer barulho parece-me um distúrbio psicológico, não é normal.

Se fosse só isto…miúdos a gritar na rua estávamos muito bem! Mas infelizmente é algo muito maior e generalizado a nível planetário. Reparem: Há normalização da violência, vemos isso no futebol tanto no relvado como fora dele. Bater, ferir ou até matar o outro porque não é do meu clube, tornou-se normal (por repetição). Invadir outro país para conquistar território porque não se gosta dos vizinhos e matá-los indiscriminadamente, é normal; Genocídio, limpeza étnica de um povo, é normal; Agredir o outro porque não é igual a mim, é normal; Torturar animais porque sim, é normal, até há quem lhe chame cultura. É assustadora a quantidade de atrocidades que se praticam na “normalidade”.

Mais alguns casos: Adultos a brincarem às mães de bonecos de silicone, pagarem creches para os bonecos, ocuparem médicos com doenças imaginárias dos seus bonecos e por eles pedirem licença de maternidade, é normal. Também brincam de ser ovelhinhas, cãezinhos ou cavalinhos e vão a competições organizadas especificamente para eles, provas de obstáculos para adultos montados em cavalinhos de pau, tudo normal; é Normal insultar os outros nas redes sociais, é normal; ter a vida social limitada a um telemóvel. É normal! Hoje em dia todas as aberrações são normais.

Governos corruptos, é normal; Crianças a morrer de fome, é normal; Serem os governos a tirar a comida da boca dessas crianças ainda é mais normal; Roubar, matar, violar…tudo é normal.

E o povo impávido e sereno olha para tudo isto e diz: - Que chato…que desagradável…vamos mas é fazer uma dancinha de rabos no Tiktok.

Ao ponto a que chegamos! Estou no ponto de sentir vergonha de pertencer à raça humana. Acredito que isto só se resolve com um reset total, começar do zero e mesmo assim sem garantias de sucesso. Nunca vi a humanidade tão desumana, uma tão grande falta de funções cerebrais que permitam a existência de consciência moral, valores sociais, empatia ou tolerância. A humanidade está pronta para a extinção.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

A Ilha dos Piratas

 


Toca o telefone, era Sara a mulher do seu melhor amigo, dizia que João tinha falecido a noite passada num acidente de carro. Carlos pede-lhe que repita, incrédulo com o que tinha acabado de ouvir. Desliga o telefone e leva as mãos à cabeça num sinal de desespero, ainda a ontem tinham estado juntos. Sem saber o que fazer nem o que pensar, Carlos deambula de um lado para o outro sem destino, da cozinha para o quarto, do quarto para a sala, da sala para o escritório, até que estagnou frente à janela, olhando para o mar infinito. Estava tranquilo como um espelho, pequenas ondas lambiam a costa, parecia que nem percebia o que tinha acontecido, era o oposto do turbilhão de emoções que naquele momento o assolavam.

Carlos precisava de um momento sozinho, só assim conseguiria assimilar esta terrível notícia. Fez um farnel com o pequeno-almoço e um termo com café quente. Saiu de casa em direção às docas, saltou para um pequeno barco de nome “Pouca Vergonha”, ligou o motor e arrancou em direção à praia de Ribeiro do Cavalo com o coração apertado. Era a sua praia e do João desde crianças, talvez ele lá estivesse e tudo isto não passasse de um mal-entendido. Ribeiro do Cavalo era a “ilha dos piratas” por eles conquistada, onde se escondiam das travessuras, desabafavam sobre os seus amores e desamores, tristezas e alegrias e onde engendravam a próxima tropelia. O acesso por terra era só para cabritos e pexitos*aventureiros, a alternativa mais rápida e simples era por mar, mas só para quem conhecia. E este era o barco deles, recuperado e remendado por ambos, um barco que o pai do João já não usava para a pesca e lhes ofereceu quando tinham 14 anos.

Carlos chegou à praia, sentou-se à beira mar e abriu o farnel, como tantas vezes antes o tinha feito com João. – Janito… estou aqui e trouxe comida!- Gritou, quebrando o silêncio da praia vazia. Aguardou um momento na vã esperança que João surgisse algures. Respirou lentamente sentindo o cheiro da maresia enquanto tomava o pequeno-almoço sozinho, os músculos relaxavam, a mente clareava e era embalada por recordações. Sentia a presença de João, Janito para os amigos, ouvia o seu riso e via-o de pé em cima da rocha empunhando uma espada de madeira e declarando a conquista da ilha dos piratas.

Levanta-se e procura o altar que tinham construído à “Senhora da Asneira”, divindade padroeira da ilha dos piratas, inventada por ambos para aliviar castigos e guardar segredos. Ali estava ela, escondida na gruta formada entre duas rochas, moldada em barro com olhos de concha, de um lado, os pedidos do Janito, do outro os do Carlitos. Montinhos de pedras que eram os pedidos de ambos, “Senhora, safa-me desta” a oração predileta.

Carlos cai de joelhos e chora convulsivamente, finalmente permitiu-se chorar, ali podia expressar toda a sua fragilidade, o seu desgosto e o seu vazio. Do lado direito daquele altar nunca mais seria colocada uma “pedra dos pedidos” e essa era uma realidade que jamais poderia ser alterada. De volta à beira mar, agora ligeiramente mais aliviado, dá um gole no café tentando imaginar como será a vida sem o Janito: com quem conversará? Com quem beberá uma cerveja ao fim do dia? Com quem irá à pesca, ou à bola? Com quem virá “morfar na ilha”, como ele dizia?

Pega em dois paus que ali chegaram com a maré, com eles constrói uma cruz atando-a com um pedaço de sargaço e com uma navalha grava na madeira “Janito 1990-2024”, volta à senhora da asneira e sobre o monte de pedras de Janito fixa a cruz, sobre o seu próprio monte adiciona mais uma pedra com um último pedido, coloca as mão na figura de barro e pede a uma santa imaginada por dois amigos – Senhora, cuida dele!-

*Termo local para os naturais de Sesimbra

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Há coisas que têm de ser ditas. (Incêndios Portugal 2024)

 


Hoje dia 17 de Setembro, já bem perto do final do Verão, estamos com alerta vermelho por perigo de incêndio. Isto significa que não se podem fazer trabalhos agrícolas com máquinas, circular em caminhos florestais, fumar enquanto se caminha, deitar beatas pela janela do carro, churrascos na natureza, fogueiras, queimadas, etc. Ou seja, ter todo o cuidado com comportamentos negligentes que possam causar ignições e consequentemente um incêndio. Isto porque está calor, vento de leste por vezes forte e humidade quase nula.

A realidade: Há quem esteja a observar os bombeiros a apagar o fogo fumando o seu cigarrinho e atirar a beata mesmo ali ao lado, visto na tv durante uma reportagem sobre os incêndios; ainda hoje ouvi máquinas de corte na mata aqui bem perto, vi um grupo de turistas organizados a passear nos caminhos florestais. Dizem para ligar sempre que se vir estes comportamentos, ora não fazia mais nada o dia todo, além de que não sou polícia nem pertenço a nenhuma entidade responsável que deveria ter como obrigação fazer patrulhamento.

 Na minha ingenuidade, em anos anteriores, já liguei quando vi um acampamento numa zona florestal num momento com restrições, os policias ainda se zangaram comigo, já era de noite, os campistas tinham um cão e não iam entrar por ali dentro e tirar as tendas “ O que quer que a gente faça?” perguntam eles - o vosso trabalho – respondi, logo depois desligaram-me o telefone na cara. Numa outra ocasião liguei quando do terreno do lado, cheio de eucaliptos e de mato, me cai um eucalipto de 15 metros para dentro do jardim e só por sorte não magoou ninguém, gente ou animais, bastava alguém estar perto do estendal para ser muito grave. Contactei o dono do terreno que me mandou ir dar uma curva, a gnr e a proteção civil que vieram aqui tirar fotografias e pronto, ficou por aí. Afinal o senhor era gerente de um banco, importante e intocável aqui na região.

Desde terrenos com eucaliptais ao abandono que são pólvora para incêndios, ao vizinho velhote que acha que ele é que sabe e tem tudo controlado quando faz trabalhos com maquinas em alertas vermelhos, a incapacidade das entidades responsáveis em manter limpeza de caminhos e acessos, fiscalizar o estado dos terrenos e agir no sentido de resolver de acordo com a lei (que é apenas decorativa), agir sobre comportamentos de risco, tudo acontece na maior das impunidades e “aí de quem lhes chame a atenção”, ainda para mais, se for uma mulher palerma que é estrangeira de Lisboa, vive aqui há meia dúzia de anos e acha que pode mudar a ordem natural das coisas.

Não há fogo apenas porque está Sol, calor e vento de Este, é necessário haver ignição. Esta pode ser negligente ou criminosa e agora falo dos nossos incendiários. Uns podem ser maluquinhos e outros mal-intencionados, um facto é que todos eles contribuem para a existência de incêndios mais ou menos graves. A Justiça não funciona com esta gente. Muitas vezes são apanhados, vão a tribunal, levam apenas um ralhete e saem 10mn depois alegres e felizes para continuar o serviço. O que se passa no nosso país é terrorismo e esta gente tem de ser tratada e punida seriamente, isto também é negligência, estão a matar pessoas e animais, a destruir casas, empresas, património, vidas, ou nada disso tem importância? Mas que porra…nada funciona, os “populares” (como agora está na moda chamar aos habitantes e me irrita solenemente) são carne para canhão? Não, não somos e o próximo passo poderá ser criarem-se milícias “populares” que fazem justiça pelas próprias mãos, é essa a solução? Os caçadores andarem pelas matas de caçadeira a caçar incendiários? É para ai que se caminha, caso o desgoverno não passe a governar urgentemente. Ninguém pode viver todos os verões com o coração nas mãos, as pessoas não aceitam esta situação e exigem segurança.

Bravo e agradecimentos apenas para os nossos bombeiros e para a ajuda internacional pois são os únicos que fazem o impossível para nos ajudar. Sabendo que quando eles entram em ação é porque tudo o resto falhou.

Tenho dito…

sábado, 14 de setembro de 2024

Um país que não se governa

 


Bem-vindo à finisterra, um país lindo à beira mar plantado com paisagens deslumbrantes e um povo acolhedor. Em tempos passados foi um grande império, nos dias de hoje um desgoverno sem ponta por onde pegar.

Desde o funcionário publico, com cara de poucos amigos que nos atende com enfado enquanto pede a assinatura do titular perante a sua certidão de óbito, até um presidente da república com o cognome “presidente dos afetos” que sorri incessantemente para as selfies dos fãs saltitando de festa em festa e se refere a si próprio na terceira pessoa. Somos também presenteados com um primeiro-ministro sem controlo do rebanho que para se fazer notar, em plena missão de salvamento e resgate no Douro, se mete num bote para ver as operações bem de perto e ainda atrapalhar mais um bocado. Uma procuradora geral da republica que do alto do seu trono informa que tudo o que faz é perfeito e não tem de dar explicações à plebe; o da defesa anseia conquistar Olivença aos espanhóis, para o da educação o problema são os telemóveis, a oposição serve para ser contra tudo, empatar as decisões, fazer referendos sobre a imigração e interrogar uma data de gente para qualquer coisa que ainda não percebi. Até o rei da Madeira e o seu capanga da proteção civil vão de férias para Porto Santo enquanto o seu reino literalmente pega fogo e afirma que está tudo a correr de forma fantástica enquanto o povinho e meia dúzia de bombeiros tentam salvar o possível. Ocupam o tempo a sacudir a água do capote e atribuir culpas por tudo o que funciona mal em vez de agirem para resolver os problemas de forma eficaz. Naturalmente, para algo ser feito é fundamental reconhecer que existe um problema, o que é raro. Nós vemos o caos, eles afirmam que está tudo bem, devemos viver em países diferentes.

Entretanto: Os prisioneiros fogem da cadeia pendurados em lençóis, as gravidas é melhor irem parir a Espanha porque por cá não se safam, os alunos vão para as aulas brincar nos recreios pois não têm professores, os incendiários levam um ralhete e saem alegres e felizes para continuar o serviço, a Secretaria-geral do Ministério da Administração Interna é facilmente assaltada por falta de segurança, as regras de prevenção a incêndios são puramente decorativas, processos por corrupção e roubo executados por maiorais arrastam-se no tempo até prescreverem. E por ai fora… um rol de eventos demonstrativos do desgoverno. A Justiça não funciona, a saúde não funciona, a educação não funciona, a segurança não funciona, o desrespeito pelos portugueses que pagam impostos para alimentar esta cambada, funciona na perfeição.

A sensação é de tristeza, impotência e insegurança, somos constantemente roubados e enganados por habilidades de oratória que na prática não se manifestam em ações concretas. Muita parra e pouca uva. É urgente alguém sensato que ponha mão neste desgoverno, na república de bananas em que Portugal se tornou e ponha ordem nisto.


sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Sexta-feira 13

 


Um dia do calendário que não é encarado como todos os outros. Porquê? Vamos explorar.

Para alguns, um símbolo de má sorte ou um número assombrado por acontecimentos peculiares.

A vinculação negativa do número 13 vem, pelo menos em parte, pelo antecessor. Em geral, o 12 é um número que caracteriza muitos ciclos:12 signos do Zodíaco, 12 apóstolos de Jesus, 12 deuses de Olimpo. Assim, o 13 representa o fim de ciclo, a transformação. E é isso, muitas vezes, que amedronta.

De um modo geral as pessoas têm uma relação difícil com o desapego, com a finalização de ciclos, o início de uma nova etapa desconhecida. Então, o 13 pode ser um aspeto desafiador nesse ponto — conta Moara Steinke, astróloga e colunista da Revista Donna. No Tarot o arcano nº 13 é a Morte cujo conceito nos leva ao desapego do passado com necessidade de transformação e renovação.

O professor de história Odir Fontoura explica que os primeiros registros da sexta-feira 13 são encontrados em folhetins e em jornais datados do final de 1800:

“A cultura popular da data passa desde a religião, até os mitos e a literatura. Eu diria que é impossível que a gente encontre um momento fundador, mas várias influências contribuíram para que a gente fale sobre ela.”

 

Muitas teorias e fatos presentes na história foram criados para justificar a má sorte do número 13. E quando vira uma data e cai em uma sexta-feira, as teorias de azar se multiplicam.

- A sexta-feira historicamente tem essa bagagem negativa. É na sexta-feira que Cristo morre. Existe uma narrativa da Idade Média que diz que era nas sextas-feiras que as bruxas se reuniam à noite nas encruzilhadas — conta o professor.

- O dia 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, é lembrado pela prisão dos cavaleiros templários na França, reinada por Filipe IV. Como castigo, muitos foram queimados, como o grão-mestre dos templários, Jacques de Molay, que morreu em frente a catedral de Notre Dame.

 

Superstições de sexta-feira 13:

Segundo as superstições mais conhecidas, as pessoas não devem passar por baixo de escadas, partir espelhos ou abrir um guarda-chuva dentro de casa, sentar 13 pessoas numa mesa, cruzar talheres, tudo para evitar a má sorte. Outras crendices como não cruzar com um gato preto, no entanto, impactam em riscos aos felinos, especialmente neste dia.

Receio de gatos pretos: na Idade Média, os pequenos felinos eram associados ao azar pela sua pelagem escura. O preto sempre esteve ligado às trevas, à ausência da luz, que era associada ao divino.

Espelho partido: a crença dos sete anos de azar é herança dos romanos. Na Antiguidade, "adivinhos" enchiam um recipiente com água para prever o futuro das pessoas. O indivíduo olhava para o seu reflexo: se o copo partisse, era um péssimo presságio. Os setes anos foram um bônus dos romanos, que acreditavam que a renovação da vida do ser humano acontecia durante esse período. Passado o tempo, a pessoa estava livre da "maldição"

Derrubar sal: durante o Império Romano, o sal era uma mercadoria muito valiosa por preservar os alimentos, mas consegui-lo era difícil. Por isso, os comerciantes inventaram essa superstição – para evitar prejuízo e desleixo com o produto

Não abrir o guarda-chuva dentro de casa: o uso de guarda-chuva ficou popular durante a Era Vitoriana, século 19. Os primeiros tinham mecanismos pontiagudos que poderiam causar sérios ferimentos a alguém. Para evitar problemas, as pessoas começaram a espalhar que abri-los dentro de casa era sinônimo de azar

Entrar com o pé direito: mais uma herança romana. O anfitrião da casa pedia aos convidados para entrarem com o pé direito. Segundo o costume, isso evitaria que algo de ruim acontecesse na casa ou em algum evento que estivesse sendo realizado

Passar por baixo da escada: para a Igreja Católica, a forma geométrica da escada representa a Santíssima Trindade: passar no meio dela quebraria o equilíbrio entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Os egípcios também acreditavam na relação entre o triângulo e seus deuses

Deixar o chinelo com a sola para cima poderia matar a mãe da casa: criada nos anos 1960, quando muitas ruas ainda eram feitas de barro, essa superstição foi possivelmente uma "ajudinha" para as donas de casa que sempre pediam para as crianças tirarem os sapatos antes de entrar

Colocar a mala no chão: acreditar que isso faz o dinheiro acabar está ligado à ideia de que os demônios habitam "nosso chão" e, por isso, "passariam a mão" na sua fortuna.

Sentar 13 pessoas à mesa: Na última ceia estavam 13 pessoas à mesa e 1 traiu Jesus. Simbolicamente, os cristãos associam 13 pessoas à mesa à traição e à maldição de morrer a pessoa mais nova da mesa. Mas também na mitologia Nórdica, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses.

Amuletos para trazer sorte na sexta-feira 13

Ferradura: diz a lenda que um ferreiro inglês, a pedido do cliente, colocou ferraduras nos pés do seu freguês. Ao perceber que o indivíduo era o diabo, fez com que o serviço fosse o mais doloroso possível até a entidade pedir clemência. Desde então, quem coloca uma ferradura na porta de casa está protegido contra os maus espíritos

Pé de coelho: não se sabe ao certo quando começou. Pode ter vindo do Hoodoo, uma forma tradicional de magia popular afro-americana que relacionavam o animal com bons presságios

Trevo de quatro folhas: acredita-se que seus "poderes" estejam relacionados à sua raridade na natureza. Muitas culturas também associavam sorte ao número 4, que também representa os pontos cardeais, as estações do ano e os elementos terra, ar, fogo e água. Estrutura e harmonia.

Boa sexta-feira 13.


terça-feira, 27 de agosto de 2024

RESILIÊNCIA OU FALTA DELA

 



A resiliência é a capacidade do indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, stress, algum tipo de evento traumático, entre outros. Sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, sendo capaz de encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.”

Aqui temos a palavra chique para o que vulgarmente se chamava “desenrascar”. Hoje escrevo porque noto que a virtude de ser desenrascado, está cada vez mais carente de adeptos.

O Ser humano está a tornar-se progressivamente uma florzinha de estufa incapaz de reagir à mais pequena adversidade. Qualquer evento que saia do seu controlo origina uma onda de medo que paralisa a capacidade de agir e pensar eficazmente, empolando eventos pouco significativos em grandes dramas traumáticos. Digo isto depois de observar a paranóia que se intalou por causa do pequeno sismo que ocorreu ontem de madrugada, resultado do qual não houve nada, absolutamente nada além de se sentir a terra tremer um pouco. Mas foi o suficiente para ser gatilho de surtos irracionais, chegando ao extremo de alguém gritar na tv que era um sinal de Jesus a voltar à terra. Naturalmente que a comunicação social alimenta estas situações para ganhar audiências.

Depois veio um momento de loucura em que se entupiram as comunicações para a proteção civil, bombeiros e outras entendidades, mas para quê? Pergunto eu. Não aconteceu nada, nada colapsou, não há feridos, para quê ocupar os serviços por coisa nenhuma. É depois do sismo que vão aprender o que fazer durante um sismo? O que queriam que fosse feito perante nada? Agora imaginem que seria realmente algo a sério, onde haviam pessoas realmente a necessitar de assistência e não a conseguiam porque as comunicações estavam saturadas de disparatados histéricos.

Mas estes surtos não são apenas de ontem, se fizerem uma retrospetiva conseguem verificar que já se manifestam faz muito tempo. Outro exemplo foi a corrida ao papel higiénico quando foi o Covid, será que pensavam que era uma pandemia do sistema digestivo; a presseguição a quem não tomou as vacinas; o desespero de mães e pais que se viram a ter de viver na mesma casa com os seus filhos a tempo inteiro, o desespero porque falhou a internet ou a eletricidade e por ai fora. Sempre que há algo imprevisto que altera as rotinas ou sai da sua capacidade de controlo, o ser humano flipa, incapaz de se adaptar às novas circustâncias e exigências. Mas nem é preciso ir a eventos, mesmo no dia-a-dia: Uma pessoa está triste, recorre a medicamentos; uma pessoa tem uma insónia, engole-se mais um comprimido; se está com sono é um comprimido para arrebitar. Assim se vai perdendo a capacidade de resistência à adversidade que aos poucos torna-se práticamente nula. É a mais perfeita falta de resiliência que pode levar à extinção, não é o tremor de terra, nem o Covid, nem o calor, mas sim a incapacidade de resistir sem placebos, apenas fazer o melhor possivel com o que está ao seu alcance, sem contar com muletas externas.

Pensem nisto e aceitem o desafio de se tornarem mais autosuficientes, adaptáveis e resilentes.

 Dance com a vida em vez de esperar que toque a sua música.

Somos Rafeiros, gostem ou não.