“A resiliência é a capacidade do indivíduo lidar com problemas,
adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações
adversas - choque, stress, algum tipo de evento traumático, entre outros. Sem
entrar em surto psicológico, emocional ou físico, sendo capaz de encontrar
soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.”
Aqui temos a palavra chique para
o que vulgarmente se chamava “desenrascar”. Hoje escrevo porque noto que a
virtude de ser desenrascado, está cada vez mais carente de adeptos.
O Ser humano está a tornar-se
progressivamente uma florzinha de estufa incapaz de reagir à mais pequena
adversidade. Qualquer evento que saia do seu controlo origina uma onda de medo
que paralisa a capacidade de agir e pensar eficazmente, empolando eventos pouco
significativos em grandes dramas traumáticos. Digo isto depois de observar a
paranóia que se intalou por causa do pequeno sismo que ocorreu ontem de
madrugada, resultado do qual não houve nada, absolutamente nada além de se sentir
a terra tremer um pouco. Mas foi o suficiente para ser gatilho de surtos
irracionais, chegando ao extremo de alguém gritar na tv que era um sinal de Jesus
a voltar à terra. Naturalmente que a comunicação social alimenta estas
situações para ganhar audiências.
Depois veio um momento de loucura
em que se entupiram as comunicações para a proteção civil, bombeiros e outras
entendidades, mas para quê? Pergunto eu. Não aconteceu nada, nada colapsou, não
há feridos, para quê ocupar os serviços por coisa nenhuma. É depois do sismo
que vão aprender o que fazer durante um sismo? O que queriam que fosse feito
perante nada? Agora imaginem que seria realmente algo a sério, onde haviam
pessoas realmente a necessitar de assistência e não a conseguiam porque as
comunicações estavam saturadas de disparatados histéricos.
Mas estes surtos não são apenas
de ontem, se fizerem uma retrospetiva conseguem verificar que já se manifestam
faz muito tempo. Outro exemplo foi a corrida ao papel higiénico quando foi o
Covid, será que pensavam que era uma pandemia do sistema digestivo; a
presseguição a quem não tomou as vacinas; o desespero de mães e pais que se
viram a ter de viver na mesma casa com os seus filhos a tempo inteiro, o
desespero porque falhou a internet ou a eletricidade e por ai fora. Sempre que
há algo imprevisto que altera as rotinas ou sai da sua capacidade de controlo, o
ser humano flipa, incapaz de se adaptar às novas circustâncias e exigências. Mas
nem é preciso ir a eventos, mesmo no dia-a-dia: Uma pessoa está triste, recorre
a medicamentos; uma pessoa tem uma insónia, engole-se mais um comprimido; se
está com sono é um comprimido para arrebitar. Assim se vai perdendo a
capacidade de resistência à adversidade que aos poucos torna-se práticamente
nula. É a mais perfeita falta de resiliência que pode levar à extinção, não é o
tremor de terra, nem o Covid, nem o calor, mas sim a incapacidade de resistir
sem placebos, apenas fazer o melhor possivel com o que está ao seu alcance, sem
contar com muletas externas.
Pensem nisto e aceitem o desafio de se tornarem mais autosuficientes, adaptáveis e resilentes.
Dance com a vida em vez de esperar que toque a sua música.

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