Translate

terça-feira, 27 de agosto de 2024

RESILIÊNCIA OU FALTA DELA

 



A resiliência é a capacidade do indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, stress, algum tipo de evento traumático, entre outros. Sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, sendo capaz de encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.”

Aqui temos a palavra chique para o que vulgarmente se chamava “desenrascar”. Hoje escrevo porque noto que a virtude de ser desenrascado, está cada vez mais carente de adeptos.

O Ser humano está a tornar-se progressivamente uma florzinha de estufa incapaz de reagir à mais pequena adversidade. Qualquer evento que saia do seu controlo origina uma onda de medo que paralisa a capacidade de agir e pensar eficazmente, empolando eventos pouco significativos em grandes dramas traumáticos. Digo isto depois de observar a paranóia que se intalou por causa do pequeno sismo que ocorreu ontem de madrugada, resultado do qual não houve nada, absolutamente nada além de se sentir a terra tremer um pouco. Mas foi o suficiente para ser gatilho de surtos irracionais, chegando ao extremo de alguém gritar na tv que era um sinal de Jesus a voltar à terra. Naturalmente que a comunicação social alimenta estas situações para ganhar audiências.

Depois veio um momento de loucura em que se entupiram as comunicações para a proteção civil, bombeiros e outras entendidades, mas para quê? Pergunto eu. Não aconteceu nada, nada colapsou, não há feridos, para quê ocupar os serviços por coisa nenhuma. É depois do sismo que vão aprender o que fazer durante um sismo? O que queriam que fosse feito perante nada? Agora imaginem que seria realmente algo a sério, onde haviam pessoas realmente a necessitar de assistência e não a conseguiam porque as comunicações estavam saturadas de disparatados histéricos.

Mas estes surtos não são apenas de ontem, se fizerem uma retrospetiva conseguem verificar que já se manifestam faz muito tempo. Outro exemplo foi a corrida ao papel higiénico quando foi o Covid, será que pensavam que era uma pandemia do sistema digestivo; a presseguição a quem não tomou as vacinas; o desespero de mães e pais que se viram a ter de viver na mesma casa com os seus filhos a tempo inteiro, o desespero porque falhou a internet ou a eletricidade e por ai fora. Sempre que há algo imprevisto que altera as rotinas ou sai da sua capacidade de controlo, o ser humano flipa, incapaz de se adaptar às novas circustâncias e exigências. Mas nem é preciso ir a eventos, mesmo no dia-a-dia: Uma pessoa está triste, recorre a medicamentos; uma pessoa tem uma insónia, engole-se mais um comprimido; se está com sono é um comprimido para arrebitar. Assim se vai perdendo a capacidade de resistência à adversidade que aos poucos torna-se práticamente nula. É a mais perfeita falta de resiliência que pode levar à extinção, não é o tremor de terra, nem o Covid, nem o calor, mas sim a incapacidade de resistir sem placebos, apenas fazer o melhor possivel com o que está ao seu alcance, sem contar com muletas externas.

Pensem nisto e aceitem o desafio de se tornarem mais autosuficientes, adaptáveis e resilentes.

 Dance com a vida em vez de esperar que toque a sua música.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Somos Rafeiros, gostem ou não.