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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Frases feitas e ideias pré-concebidas

 


“Eu só sei que nada sei.” É do que mais se ouve para se mostrar uma humildade de conhecimento, mas se pensarem sobre esta frase facilmente se chega à conclusão que é falsa, tanto a frase como a aparente humildade. Se só sabe que nada sabe, há pelo menos uma coisa sabe: que nada sabe. E quem é que sabe apenas isso? Ninguém.

O “Amor Incondicional”, mais uma treta new age. Fazem ideia do que é isto? Amor sem condições, sem retorno, amar tudo e todos incondicionalmente mesmo que te prejudiquem, que te faça mal e cause sofrimento. O Amor humano é totalmente condicional, nem que seja por puro instinto de sobrevivência. Vais amar um agressor, um assassino, uma pessoa que destruiu a tua vida, és capaz?

Posso também falar de “Namastê” um cumprimento Yogi, utilizado dentro de um sistema muito específico de crenças e que agora foi vulgarizado. Significa “O Deus que existe em mim reconhece o Deus que existe em ti”. Será que reconheces? Que Deus existe em mim? Diz-me pois eu não sei, nem o meu, nem o teu. Respeitas-te e respeitas-me como se fosse Deus? Não acredito, não sinto isso.

“Viver em plena partilha”, ahahaha é hilariante. Vamos então viver nesses termos. Deixa de existir propriedade privada, tudo o que é teu é meu também, a casa, o carro, a roupa, o dinheiro, a comida. Bora lá havia de ser giro, nem uma semana dava para andar tudo à pancada.

Se há coisa que eu aprecio é um ser genuíno, verdadeiro, sem chavões ou máscaras que reconhece tanto as suas imperfeições como as suas virtudes e vive bem consigo próprio apenas sendo honesto consigo e com os outros. Percebe que não tem amor incondicional, nem reconhece o Deus no outro e que sabe algumas coisas e ainda tem muitas outras para saber, aprendendo e experienciando a própria vida. Não tem a ambição de ser perfeito, nem faz disso uma luta diária, irrita-se, berra, chora, reclama e também ri alegremente, brinca, erra e vai à aventura. Tira a máscara de “candidato à perfeição” e apenas É fiel ao que sente a cada momento.

Dentro destes chavões e muitos outros criou-se um dogm
a de “espiritualidade” no qual para seres aceite no grupo tens de obedecer a certos padrões de comportamento, usar um vocabulário específico e vestir uma máscara adequada que na maioria das vezes nada tem a ver com aquilo que és realmente, apenas uma fachada para agradar e ser aceite no grupo. Uma trabalheira chata e mentirosa que te faz andar todos os dias a correr atrás de uma perfeição que não existe, a excluir os quem não seguem esse padrão, sempre com uma “desculpabilização” pêlos teus próprios actos e com mais umas frases feitas: “Afastei-me de certas pessoas que bloqueavam a minha evolução espiritual”, “A minha vibração não me permite frequentar certos ambientes”, “Quebram a minha harmonia espiritual”. Balelas, balelas, balelas. É apenas, falsa humildade, falta de escrúpulos, auto-enganos e narcisismo, nada mais que exuberância do ego espiritualista.

Como gosto de gente a sério!

Somos Rafeiros, gostem ou não.