Um dia do calendário que não é encarado como todos os outros.
Porquê? Vamos explorar.
Para alguns, um símbolo de má sorte ou um número assombrado
por acontecimentos peculiares.
A vinculação negativa do número 13 vem, pelo menos em parte,
pelo antecessor. Em geral, o 12 é um número que caracteriza muitos ciclos:12
signos do Zodíaco, 12 apóstolos de Jesus, 12 deuses de Olimpo. Assim, o 13
representa o fim de ciclo, a transformação. E é isso, muitas vezes, que
amedronta.
De um modo geral as pessoas têm uma relação difícil com o
desapego, com a finalização de ciclos, o início de uma nova etapa desconhecida.
Então, o 13 pode ser um aspeto desafiador nesse ponto — conta Moara Steinke,
astróloga e colunista da Revista Donna. No Tarot o arcano nº 13 é a Morte cujo
conceito nos leva ao desapego do passado com necessidade de transformação e
renovação.
O professor de história Odir Fontoura explica que os
primeiros registros da sexta-feira 13 são encontrados em folhetins e em jornais
datados do final de 1800:
“A cultura popular da
data passa desde a religião, até os mitos e a literatura. Eu diria que é
impossível que a gente encontre um momento fundador, mas várias influências
contribuíram para que a gente fale sobre ela.”
Muitas teorias e fatos presentes na história foram criados
para justificar a má sorte do número 13. E quando vira uma data e cai em uma
sexta-feira, as teorias de azar se multiplicam.
- A sexta-feira historicamente tem essa bagagem negativa. É
na sexta-feira que Cristo morre. Existe uma narrativa da Idade Média que diz
que era nas sextas-feiras que as bruxas se reuniam à noite nas encruzilhadas —
conta o professor.
- O dia 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, é lembrado
pela prisão dos cavaleiros templários na França, reinada por Filipe IV. Como
castigo, muitos foram queimados, como o grão-mestre dos templários, Jacques de
Molay, que morreu em frente a catedral de Notre Dame.
Superstições de
sexta-feira 13:
Segundo as superstições mais conhecidas, as pessoas não
devem passar por baixo de escadas, partir espelhos ou abrir um guarda-chuva
dentro de casa, sentar 13 pessoas numa mesa, cruzar talheres, tudo para evitar
a má sorte. Outras crendices como não cruzar com um gato preto, no entanto,
impactam em riscos aos felinos, especialmente neste dia.
Receio de gatos pretos: na Idade Média, os pequenos felinos
eram associados ao azar pela sua pelagem escura. O preto sempre esteve ligado
às trevas, à ausência da luz, que era associada ao divino.
Espelho partido: a crença dos sete anos de azar é herança
dos romanos. Na Antiguidade, "adivinhos" enchiam um recipiente com
água para prever o futuro das pessoas. O indivíduo olhava para o seu reflexo:
se o copo partisse, era um péssimo presságio. Os setes anos foram um bônus dos
romanos, que acreditavam que a renovação da vida do ser humano acontecia
durante esse período. Passado o tempo, a pessoa estava livre da
"maldição"
Derrubar sal: durante o Império Romano, o sal era uma
mercadoria muito valiosa por preservar os alimentos, mas consegui-lo era
difícil. Por isso, os comerciantes inventaram essa superstição – para evitar
prejuízo e desleixo com o produto
Não abrir o guarda-chuva dentro de casa: o uso de
guarda-chuva ficou popular durante a Era Vitoriana, século 19. Os primeiros
tinham mecanismos pontiagudos que poderiam causar sérios ferimentos a alguém.
Para evitar problemas, as pessoas começaram a espalhar que abri-los dentro de
casa era sinônimo de azar
Entrar com o pé direito: mais uma herança romana. O
anfitrião da casa pedia aos convidados para entrarem com o pé direito. Segundo
o costume, isso evitaria que algo de ruim acontecesse na casa ou em algum
evento que estivesse sendo realizado
Passar por baixo da escada: para a Igreja Católica, a forma
geométrica da escada representa a Santíssima Trindade: passar no meio dela
quebraria o equilíbrio entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Os egípcios
também acreditavam na relação entre o triângulo e seus deuses
Deixar o chinelo com a sola para cima poderia matar a mãe da
casa: criada nos anos 1960, quando muitas ruas ainda eram feitas de barro, essa
superstição foi possivelmente uma "ajudinha" para as donas de casa
que sempre pediam para as crianças tirarem os sapatos antes de entrar
Colocar a mala no chão: acreditar que isso faz o dinheiro
acabar está ligado à ideia de que os demônios habitam "nosso chão" e,
por isso, "passariam a mão" na sua fortuna.
Sentar 13 pessoas à mesa: Na última ceia estavam 13 pessoas
à mesa e 1 traiu Jesus. Simbolicamente, os cristãos associam 13 pessoas à mesa
à traição e à maldição de morrer a pessoa mais nova da mesa. Mas também na
mitologia Nórdica, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados.
Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma
briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses.
Amuletos para trazer
sorte na sexta-feira 13
Ferradura: diz a lenda que um ferreiro inglês, a
pedido do cliente, colocou ferraduras nos pés do seu freguês. Ao perceber que o
indivíduo era o diabo, fez com que o serviço fosse o mais doloroso possível até
a entidade pedir clemência. Desde então, quem coloca uma ferradura na porta de
casa está protegido contra os maus espíritos
Pé de coelho: não se sabe ao certo quando começou.
Pode ter vindo do Hoodoo, uma forma tradicional de magia popular afro-americana
que relacionavam o animal com bons presságios
Trevo de quatro folhas: acredita-se que seus
"poderes" estejam relacionados à sua raridade na natureza. Muitas
culturas também associavam sorte ao número 4, que também representa os pontos
cardeais, as estações do ano e os elementos terra, ar, fogo e água. Estrutura e
harmonia.
Boa sexta-feira 13.

Sem comentários:
Enviar um comentário