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terça-feira, 17 de setembro de 2024

Há coisas que têm de ser ditas. (Incêndios Portugal 2024)

 


Hoje dia 17 de Setembro, já bem perto do final do Verão, estamos com alerta vermelho por perigo de incêndio. Isto significa que não se podem fazer trabalhos agrícolas com máquinas, circular em caminhos florestais, fumar enquanto se caminha, deitar beatas pela janela do carro, churrascos na natureza, fogueiras, queimadas, etc. Ou seja, ter todo o cuidado com comportamentos negligentes que possam causar ignições e consequentemente um incêndio. Isto porque está calor, vento de leste por vezes forte e humidade quase nula.

A realidade: Há quem esteja a observar os bombeiros a apagar o fogo fumando o seu cigarrinho e atirar a beata mesmo ali ao lado, visto na tv durante uma reportagem sobre os incêndios; ainda hoje ouvi máquinas de corte na mata aqui bem perto, vi um grupo de turistas organizados a passear nos caminhos florestais. Dizem para ligar sempre que se vir estes comportamentos, ora não fazia mais nada o dia todo, além de que não sou polícia nem pertenço a nenhuma entidade responsável que deveria ter como obrigação fazer patrulhamento.

 Na minha ingenuidade, em anos anteriores, já liguei quando vi um acampamento numa zona florestal num momento com restrições, os policias ainda se zangaram comigo, já era de noite, os campistas tinham um cão e não iam entrar por ali dentro e tirar as tendas “ O que quer que a gente faça?” perguntam eles - o vosso trabalho – respondi, logo depois desligaram-me o telefone na cara. Numa outra ocasião liguei quando do terreno do lado, cheio de eucaliptos e de mato, me cai um eucalipto de 15 metros para dentro do jardim e só por sorte não magoou ninguém, gente ou animais, bastava alguém estar perto do estendal para ser muito grave. Contactei o dono do terreno que me mandou ir dar uma curva, a gnr e a proteção civil que vieram aqui tirar fotografias e pronto, ficou por aí. Afinal o senhor era gerente de um banco, importante e intocável aqui na região.

Desde terrenos com eucaliptais ao abandono que são pólvora para incêndios, ao vizinho velhote que acha que ele é que sabe e tem tudo controlado quando faz trabalhos com maquinas em alertas vermelhos, a incapacidade das entidades responsáveis em manter limpeza de caminhos e acessos, fiscalizar o estado dos terrenos e agir no sentido de resolver de acordo com a lei (que é apenas decorativa), agir sobre comportamentos de risco, tudo acontece na maior das impunidades e “aí de quem lhes chame a atenção”, ainda para mais, se for uma mulher palerma que é estrangeira de Lisboa, vive aqui há meia dúzia de anos e acha que pode mudar a ordem natural das coisas.

Não há fogo apenas porque está Sol, calor e vento de Este, é necessário haver ignição. Esta pode ser negligente ou criminosa e agora falo dos nossos incendiários. Uns podem ser maluquinhos e outros mal-intencionados, um facto é que todos eles contribuem para a existência de incêndios mais ou menos graves. A Justiça não funciona com esta gente. Muitas vezes são apanhados, vão a tribunal, levam apenas um ralhete e saem 10mn depois alegres e felizes para continuar o serviço. O que se passa no nosso país é terrorismo e esta gente tem de ser tratada e punida seriamente, isto também é negligência, estão a matar pessoas e animais, a destruir casas, empresas, património, vidas, ou nada disso tem importância? Mas que porra…nada funciona, os “populares” (como agora está na moda chamar aos habitantes e me irrita solenemente) são carne para canhão? Não, não somos e o próximo passo poderá ser criarem-se milícias “populares” que fazem justiça pelas próprias mãos, é essa a solução? Os caçadores andarem pelas matas de caçadeira a caçar incendiários? É para ai que se caminha, caso o desgoverno não passe a governar urgentemente. Ninguém pode viver todos os verões com o coração nas mãos, as pessoas não aceitam esta situação e exigem segurança.

Bravo e agradecimentos apenas para os nossos bombeiros e para a ajuda internacional pois são os únicos que fazem o impossível para nos ajudar. Sabendo que quando eles entram em ação é porque tudo o resto falhou.

Tenho dito…

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