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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Uma humanidade demente e decrépita

 


Sou confrontada diariamente com notícias e eventos que me levam à posição de declarar que a humanidade sofre de demência. Não vejo luz no fundo do túnel, algo que indique uma reversão da situação actual.

Um dia ao observar ocasionalmente a saída de uma escola reparo num rapazinho que grita sozinho na rua, alto e a bom som. Vai simplesmente caminhando e gritando desalmadamente. Pensei ir ajudar, algo se estava a passar com ele. Nisto junta-se outro com o mesmo comportamento, chegam mais dois ou três que se juntam à gritaria. Pensei que seria alguma manifestação. Mas não, eram apenas gritos vazios de significado, não diziam nada, nem contra nem a favor de coisa alguma, só mesmo barulho. Uma senhora que passava, ao ver a minha expressão admirada diz: - É normal, fazem isto todos os dias, às vezes até são mais.- Sorri para a senhora e pensei para mim: - Não! Não é nada normal, é completamente anormal.

Quando aquela senhora afirma que “é normal” identifico uma normalização da loucura por repetição. O anormal é percecionado como normal perante a repetição das acções e não acontece apenas a esta senhora, mas a uma enorme maioria da população mundial. Quando alguém grita, o normal é faze-lo por alguma razão: medo, dor, desespero. É a expressão vocal de um abalo emocional ou físico. Gritar porque sim, só para fazer barulho parece-me um distúrbio psicológico, não é normal.

Se fosse só isto…miúdos a gritar na rua estávamos muito bem! Mas infelizmente é algo muito maior e generalizado a nível planetário. Reparem: Há normalização da violência, vemos isso no futebol tanto no relvado como fora dele. Bater, ferir ou até matar o outro porque não é do meu clube, tornou-se normal (por repetição). Invadir outro país para conquistar território porque não se gosta dos vizinhos e matá-los indiscriminadamente, é normal; Genocídio, limpeza étnica de um povo, é normal; Agredir o outro porque não é igual a mim, é normal; Torturar animais porque sim, é normal, até há quem lhe chame cultura. É assustadora a quantidade de atrocidades que se praticam na “normalidade”.

Mais alguns casos: Adultos a brincarem às mães de bonecos de silicone, pagarem creches para os bonecos, ocuparem médicos com doenças imaginárias dos seus bonecos e por eles pedirem licença de maternidade, é normal. Também brincam de ser ovelhinhas, cãezinhos ou cavalinhos e vão a competições organizadas especificamente para eles, provas de obstáculos para adultos montados em cavalinhos de pau, tudo normal; é Normal insultar os outros nas redes sociais, é normal; ter a vida social limitada a um telemóvel. É normal! Hoje em dia todas as aberrações são normais.

Governos corruptos, é normal; Crianças a morrer de fome, é normal; Serem os governos a tirar a comida da boca dessas crianças ainda é mais normal; Roubar, matar, violar…tudo é normal.

E o povo impávido e sereno olha para tudo isto e diz: - Que chato…que desagradável…vamos mas é fazer uma dancinha de rabos no Tiktok.

Ao ponto a que chegamos! Estou no ponto de sentir vergonha de pertencer à raça humana. Acredito que isto só se resolve com um reset total, começar do zero e mesmo assim sem garantias de sucesso. Nunca vi a humanidade tão desumana, uma tão grande falta de funções cerebrais que permitam a existência de consciência moral, valores sociais, empatia ou tolerância. A humanidade está pronta para a extinção.

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