Sou confrontada diariamente com notícias e eventos que me
levam à posição de declarar que a humanidade sofre de demência. Não vejo luz no
fundo do túnel, algo que indique uma reversão da situação actual.
Um dia ao observar ocasionalmente a saída de uma escola
reparo num rapazinho que grita sozinho na rua, alto e a bom som. Vai
simplesmente caminhando e gritando desalmadamente. Pensei ir ajudar, algo se
estava a passar com ele. Nisto junta-se outro com o mesmo comportamento, chegam
mais dois ou três que se juntam à gritaria. Pensei que seria alguma
manifestação. Mas não, eram apenas gritos vazios de significado, não diziam
nada, nem contra nem a favor de coisa alguma, só mesmo barulho. Uma senhora que
passava, ao ver a minha expressão admirada diz: - É normal, fazem isto todos os
dias, às vezes até são mais.- Sorri para a senhora e pensei para mim: - Não!
Não é nada normal, é completamente anormal.
Quando aquela senhora afirma que “é normal” identifico uma
normalização da loucura por repetição. O anormal é percecionado como normal
perante a repetição das acções e não acontece apenas a esta senhora, mas a uma
enorme maioria da população mundial. Quando alguém grita, o normal é faze-lo
por alguma razão: medo, dor, desespero. É a expressão vocal de um abalo
emocional ou físico. Gritar porque sim, só para fazer barulho parece-me um distúrbio
psicológico, não é normal.
Se fosse só isto…miúdos a gritar na rua estávamos muito bem!
Mas infelizmente é algo muito maior e generalizado a nível planetário. Reparem:
Há normalização da violência, vemos isso no futebol tanto no relvado como fora
dele. Bater, ferir ou até matar o outro porque não é do meu clube, tornou-se
normal (por repetição). Invadir outro país para conquistar território porque
não se gosta dos vizinhos e matá-los indiscriminadamente, é normal; Genocídio,
limpeza étnica de um povo, é normal; Agredir o outro porque não é igual a mim,
é normal; Torturar animais porque sim, é normal, até há quem lhe chame cultura.
É assustadora a quantidade de atrocidades que se praticam na “normalidade”.
Mais alguns casos: Adultos a brincarem às mães de bonecos de
silicone, pagarem creches para os bonecos, ocuparem médicos com doenças
imaginárias dos seus bonecos e por eles pedirem licença de maternidade, é
normal. Também brincam de ser ovelhinhas, cãezinhos ou cavalinhos e vão a
competições organizadas especificamente para eles, provas de obstáculos para
adultos montados em cavalinhos de pau, tudo normal; é Normal insultar os outros
nas redes sociais, é normal; ter a vida social limitada a um telemóvel. É
normal! Hoje em dia todas as aberrações são normais.
Governos corruptos, é normal; Crianças a morrer de fome, é
normal; Serem os governos a tirar a comida da boca dessas crianças ainda é mais
normal; Roubar, matar, violar…tudo é normal.
E o povo impávido e sereno olha para tudo isto e diz: - Que
chato…que desagradável…vamos mas é fazer uma dancinha de rabos no Tiktok.
Ao ponto a que chegamos! Estou no ponto de sentir vergonha
de pertencer à raça humana. Acredito que isto só se resolve com um reset total, começar do zero e mesmo
assim sem garantias de sucesso. Nunca vi a humanidade tão desumana, uma tão
grande falta de funções cerebrais que permitam a existência de consciência
moral, valores sociais, empatia ou tolerância. A humanidade está pronta para a
extinção.

Sem comentários:
Enviar um comentário