Anda no ar uma
inquietação, sente-se na pele, nas conversas ríspidas, nas posturas tensas.
Quase dá vontade de meter na toca e não sair mais até mudar a vibração.
Queiramos ou não acabamos por ser afectados, buscamos um conforto que não está em
lado nenhum, muitas vezes a resposta á nossa busca é brusca e quase demente. Se
não nos resguardamos ficamos na mesma. É difícil estabelecer a linha entre a
lucidez e a impulsividade. Perdeu-se a noção de valores, de prioridades,
apontam-se dedos sem escrúpulos, trocam-se acusações sem fundamento, grita-se,
esperneia-se e nada muda.
Onde estão os
sorrisos? Onde estão as brincadeiras? Quando posso de novo falar sem ofender
nem ser ofendida? Onde estão os sonhos, os ideais? Vocês vivem ou apenas
sobrevivem? A vossa felicidade é o sofrimento do outro? É derrubá-lo? Porquê? O
que está a ser alimentado ai dentro? Nunca, mas nunca vi tanta gente
desnorteada, mesmo sem Norte, sem destino, a caminhar dia-a-dia para lado
nenhum, sem vontades, sem objectivos. A remoer o que corre mal em vez de se
esforçarem pelo que podem alcançar de melhor, mas desistiram todos de ser
felizes? Estão apenas á espera da morte?
Outro dia apenas
por ir a sorrir, ouvi logo o comentário amargo “A vida daquela corre bem, deve
estar cheia de dinheiro”, tive logo de amarrar o sorriso para não receber mais
pedras. Dinheiro? Mas dinheiro é que nos põe um sorriso na cara? Não pode ser o
Sol, uma paz interna, a liberdade de sorrir já não existe? Sorrir apenas porque
sim.
O ser humano
está-se a transformar, mas em quê? Num bando de máquinas cumpridoras de rotinas
e ganhar dinheiro? São marionetas nas mãos de quem ou do quê? Onde está o Ser
Humano com letra grande? Já raramente o consigo encontrar. Se o tento levantar,
mostrar caminhos mais alegres, é porque sou alienada da realidade que a vida
não é como a pinto? Não é? A minha vida tem os tons das tintas que eu usar para
a pintar, nem mais, nem menos. Não espero facilidades, mas não encaro as
adversidades como negros melodramas em vidas que se tornaram filmes de terror.
Tudo corre de um lado para outro, tudo tem de ser e fazer mais e melhor que o outro, todos têm de ter a doença mais difícil de curar, a vida mais sofrida, o problema mais grave, parece que isso agora é bandeira pessoal. Mas vocês vivem a competir com o outro? Olhem para vocês
, em que andam a desperdiçar a vida? E ainda criticam quem a vive á sua maneira.
Mães têm filhos e
lamentam o trabalho que dão, a despesa que fazem, os problemas que têm, porque
não falam das alegrias que dão? Fala-se muito da dureza da vida e porque não
dos momentos que nos fazem sorrir? É muito mais popular falar das desgraças do
que das alegrias. O que realmente pretendem com isso? O mundo está um
verdadeiro “muro das lamentações” em que o comum é arranjar as mais
esfarrapadas desculpas para justificar a falta de viver.
PÁRA TUDO! Vamos
sair deste buraco, comentem com alegrias, coisas boas, o que a vida tem de bom,
o que gostam de fazer, onde está a vossa paz, o que gostavam de aprender, de
fazer, de alcançar, o que vos entusiasma e motiva. E agir neste sentido em vez
de ficar enredado no “labirinto das lamentações”, no rol de desculpas que criam
para não caminharem por um trilho que vos motive e entusiasme.

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