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domingo, 8 de novembro de 2020

LIBERDADE

 


Aqui do meu canto sagrado, longe do mundo permito-me contemplar a sociedade humana e hoje essa observação caiu sobre o tema “liberdade”. Sendo este um conceito que considero essencial para a vida, estou atenta ao que se passa a este nível. Liberdade considero um estado em que cada um apenas é. É o quê? Verdadeiro consigo próprio, sem máscaras, sem disfarces, sem medo da opinião alheia a seu respeito, sem dogmas, sem guiões simplesmente genuíno consigo e com os outros..

No entanto observo que de um modo geral este conceito foi deturpado para “poder fazer o que quiser sem restrições”. E pode, consciente porém que tudo o que fizer tem consequências e a responsabilidade é tua apenas e que a tua liberdade termina quando afecta a liberdade do outro. Por exemplo: Posso roubar? Poder podes, mas o mais provável é ires para a cadeia, depois não refiles limita-te a aceitar as consequências do teu acto. Agora o que verifico é que todos querem fazer o que lhes apetece, mas recusam-se a aceitar as consequências, desresponsabilizando-se dos seus actos de todas as maneiras imagináveis. O maior problema é que isto tornou-se crónico, uma forma natural de agir perante o efeito desagradável das suas acções. Todos se veem cheios de direitos, mas livres de obrigações. O que para mim é bem demonstrativo do estado decadente da humanidade.

O que me leva a concluir que quanto mais inconscientes menor o grau de liberdade que conseguimos alcançar, logo o primeiro passo para a liberdade é trabalhar a autoconsciência assumindo a responsabilidade de ti próprio e dos teus actos. Quanto mais inconscientes mais regras que limitam a liberdade são necessárias para manter alguma ordem social. Neste momento, ninguém é livre pois consciência é um bem raro. Vives na ilusão de uma liberdade que na realidade não está neste momento disponível para a humanidade, não tens consciência suficiente para seres livre. Só há policias porque existem ladrões, numa sociedade consciente não seriam necessários, pois todos agiriam de forma a não interferirem com a liberdade do outro.

Imaginem comigo: Ausência de propriedade privada. Liberdade para ser genuíno, fazer o que quiser apenas cumprindo as suas obrigações para com a comunidade. Ninguém tem casa própria, nem carro, mas há casas e carros disponíveis para todos utilizarem. Pode usar qualquer casa disponível na zona onde deseja, mudar sempre que lhe apetece, sabendo sempre que é sua obrigação deixá-la impecável para o próximo habitante. Basta sair e pegar no carro mais próximo. Todos trabalham para o bem comum da comunidade, o agricultor trabalha a terra e distribui os alimentos; o médico recebe e acompanha todos os que necessitam de ajuda. Outros cuidam das crianças da comunidade para que os seus pais possam desempenhar as suas funções comunitárias, sabendo que as crianças estão a ser devidamente cuidadas e acompanhadas. Todos contribuem para um bem comum, não pessoal e têm todas as casas e todos os carros da comunidade, não há pobre, nem ricos, todos são cuidados e acarinhados. Não há policia, militares, governos, porque simplesmente não é necessário haver regras num mundo onde há consciência. Reparem como os egos se diluíam neste modelo social, como ninguém era mais ou menos que o outro, como havia abundancia, como cada um podia expressar a sua individualidade livremente. Mas reparem o grau de consciência necessário para se poder viver desta forma até parece que mentalmente ultrapassa a nossa capacidade de compreensão. reparem como comecei este texto "Aqui do MEU canto sagrado", será que algum dia conseguirei escrever "Aqui do NOSSO canto sagrado"?

Mas podemos começar por algum lado…desenvolvendo a consciência pessoal, redefinir valores e prioridades da nossa vida.

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