Uma patologia bem actual que se dissemina a uma velocidade
alucinante na sociedade. Facilmente observada nas intervenções em redes sociais
sob a forma de bulling quando existem pensamentos ou opiniões divergentes; nas
tentativas de “evangelizar” o próximo mostrando como o próprio é um exemplo de
moral e bons costumes; nas selfies de rabos, abdominais e mamocas que os
anunciam como melhores reprodutores ou nas exibições de intelectos imaculados.
“Eu sou bom porque tu és mau” é a formula mais comum de
identificar um ego obeso, cheio de si que serve de camuflagem para as suas
próprias frustrações, inseguranças e medos. Rapidamente ataca quando
confrontado com as suas próprias contradições e morde-te se dáz (erro
propositado) um erro ortográfico. A todo o custo te procura humilhar e
espezinhar para que se sinta numa posição superior e seja o próprio a receber
aplausos do rebanho, ficam ali agarrados ao osso até que o outro seja humilhado
e apedrejado em praça pública.
No verso da medalha encontra-se uma mente anoréxica que se
esconde por trás do ecrã cheia de dó de si própria, frustrada com a vida, que
não consegue encontrar o seu próprio valor individual. Necessita do
reconhecimento exterior e do sangue da sua vítima para se alimentar, tal como
um vampiro. Sem isso seria apenas um ser dormente sem propósito, sem objectivos
ou sonhos a realizar, ansiando por uma vida vivida que não consegue alcançar. A
nível quase subconsciente paira a frase “Se eu não consegui, tu também não o
conseguirás e vou fazer o que estiver ao meu alcance para sabotar o teu
propósito e te tirar o sorriso da cara”. Buscam o seu lugar de poder de forma
cruel, sem nenhuma demonstração de empatia ou cuidado para não ferir o outro,
são implacáveis e brutais. Perigosos para os mais susceptíveis e
impressionáveis.
Na minha opinião a melhor arma contra estes agressores é o
silêncio, não ripostar pois ao faze-lo estamos a dar-lhe sangue, mas ele é
insaciável, não vale a pena, além de que gastamos o nosso precioso tempo. Nem
sempre consigo manter este silêncio, também tenho ego e com ele a dificuldade
em engolir alguns sapos e deixar-me ficar quieta. Vou treinando e quando
consigo é recompensador. Fica a dica.
Verdade que também estou a ser implacável, escrever é a
minha forma de conseguir o silêncio libertando as minhas vontades.

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